Da Periferia aos Desafios do Ensino Superior

sábado, 22 de setembro de 2012

Abaixo-assinado - Eleições para representante docente e discente do PROUNI



A portaria 1.132/09, prevê a implementação da COLAP -comissões locais de acompanhamento e controle social do PROUNI -, que deve ser composta por alunos e professores por meio de eleição em processo direto de escolha e amplamente divulgado na universidade, com a finalidade de exercer o acompanhamento, averiguação e fiscalização do Programa Universidade Para Todos na instituição. Porém, considerando que desde 2009 nunca ocorreram tais eleições, e que atualmente os bolsistas do PROUNI tem sofrido sérias interdições, tais como o próprio direito de ter eleições para eleger seus próprios representantes, resolvemos tornar público tais irregularidades, bem como, rogar à COLAP – atualmente composta por membros escolhidos de forma arbitrária do Setor de Administração de Bolsas de Estudos, a SABE -, para que tenha ciência do fato, e que tome as devidas providências cabíveis para que tais eleições ocorram de forma aberta e transparente ainda na primeira semana de outubro.

Dessa forma, pedimos solidariamente a toda comunidade puquiana, que acredita que o valor de uma instituição se mede pelo grau de compreensão que ela tem com relação ao respeito aos direitos mínimos, inclusive o dos mais vulneráveis, para que assinem nosso abaixo-assinado, e divulguem para o máximo possível de colegas. 


Onde: Prainha – PUC-SP
Quando: segunda e terça-feira,
Manhã: das 12hrs às 13hrs;
Noite: das 18hrs às 19hrs.
                                                           

Abaixo-assinado

Nós, abaixo-assinados da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC/SP, unidos para exercermos nossos direitos, requeremos a Comissão Local de Acompanhamento e Controle Social do Prouni – COLAP da mesma universidade denominada acima, o cumprimento do art. 3°, § 2º da Portaria n° 1.132/09 que dispõe sobre as

Eleições para representante docente e discente do PROUNI

em processo direto de escolha, amplamente divulgado na Instituição, para I- exercer o acompanhamento, averiguação e fiscalização da implementação do PROUNI na instituição; II- Interagir com a comunidade acadêmica e com as organizações da sociedade civil, recebendo reclamações, denúncias, críticas e sugestões para apresentação, se for o caso, à Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do PROUNI - CONAP; III - Emitir, a cada processo seletivo, relatório de acompanhamento do PROUNI; e IV - Fornecer informações sobre o PROUNI à CONAP. 
Em razão disso, solicitamos de V.S.ª o máximo empenho para regularizar esta situação. 

NOMES:
RA










































segunda-feira, 6 de agosto de 2012

ProUni – Interesse Político, Papel das Universidades e Movimento dos Alunos



Muitos alunos tem a mesma indagação que a maior parte da população carrega, sempre com uma sensação de que nada pode ser feito, pois existe pouca vontade política. O problema é que em casa, tendo algum arroz e feijão pra comer, e sobrando alguma diversão nos canais da rede Globo e SBT, vamos deixando passar o restinho de nossas vidas sem responder a pergunta: “o que podemos fazer para sair dessa situação complicada para poder viver melhor”? É só quando bate a água na bunda e não temos como enxugar, é que vamos desesperando, prontos para tentar se virar. Com relação à educação, os alunos do ProUni já estão com a bunda encharcada, e estão se virando já faz algum tempo, só no 1º semestre de 2011, por exemplo, na PUC-SP, houveram 42 cancelamentos de bolsa devido a reprovações, sendo os principais motivos de ordem trabalhista, financeira, familiar, acadêmico, e até de saúde. Se um bolsista “custa” cerca de R$2.000 por mês para o Estado em isenções tributárias para as IES, multiplique esse valor pelo número de desistências anuais das 1.319 IES - Instituições de Ensino Superior - que atualmente participam do ProUni e, voilá...a água bate na bunda dos cofres públicos também! Mas isso é apenas um argumento limitado, há mais: a verdadeira inclusão social destes alunos não se dá apenas com projetos de políticas públicas que coloquem o jovem na universidade, mas, sobretudo, a efetiva inclusão social se dá igualmente através de projetos políticos voltados para a permanência estudantil.


Nesse caso, percebendo que existe um choque cultural muito grande, discriminação institucional e até bolsistas que deixam de assistir aula por que não tem condições de pagar o ônibus, como é possível que os próprios estudantes fiquem sem fazer nada? É preciso lembrar que quem também faz o nome da universidade são os próprios alunos, e desde sempre foram as lutas desses atores que conquistaram os centros acadêmicos, redução das mensalidades, bolsas alimentação, etc. Na PUC-SP, por exemplo, é recorrente nos livros de história, o relato das resistências de seus universitários no ano de 77, ou seja, a vontade política dos alunos fazem a diferença!



Muitos alunos do ProUni acham que estão na universidade privada de favor, pois não pagam diretamente a mensalidade. Porém, o ProUni, que foi uma “sacada” do governo em conciliar o interesse privado com o interesse social, colocando a cargo dos centros universitários que não pagavam seus impostos o papel de acolher o Programa, gerando um resultado, inicialmente, satisfatório para os dois lados – para o primeiro setor e o para o segundo setor - , também é o tema de destaque que garante uma excelente plataforma de debate político para os candidatos ao governo. Não existe nenhum favor. Os estudantes do ProUni não estudam de graça, por que trata-se de dinheiro público pago pelo povo; sequer precisam esses alunos necessariamente se resignarem a aceitar as frágeis condições do programa da forma como está colocado, pois tal como a CONAP (Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do ProUni) reconheceu, não se trata de um projeto acabado, mas sim, de um projeto em desenvolvimento. Por essa razão, já está inclusive em andamento a proposta da Carta de São Paulo, elaborada no dia 13 de junho de 2012, no seminário “O controle social do ProUni”, que prevê além da criação de parcerias entre entidades públicas (federação, estado e município) e privadas (empresas) no afã de garantir bolsa-auxílio para os alunos, também prevê que o representante discente da COLAP (Comissão Local de acompanhamento e controle Social do ProUni) promova reuniões de acompanhamento semestral com os bolsistas. Além disso, a carta também promove a criação de um boletim informativo mensal, incentivo do ProUni na pós-graduação, alteração do critério de renda, que passará de bruto para liquido, dentre outros.


É importante lembrar também que desde 1997 foi criado o FESP – Fundo Emergencial de Solidariedade da PUC-Rio, vinculado ao Centro de Pastoral Anchieta, e mantido através de doações dentro da PUC-Rio (funcionários, professores, alunos, vice-reitorias administrativa, comunitária, Comunidade dos Jesuítas) e da (SBE – Sociedade Brasileira de Educação - Jesuítas), que visa atender estudantes bolsistas de baixa renda, e, que não conseguiriam manter-se no curso devido aos custos elevados com transporte e alimentação. Atualmente, o FESP é administrado pela Vice-reitoria Comunitária da PUC-RJ.


Segundo o professor Augusto Sampaio, o responsável pelos programas de inclusão na Vice-Reitoria Comunitária da PUC-RJ há 18 anos, sem a existência da Bolsa PUC, não seria possível que bons alunos ficassem na instituição, e, diz ainda:



“A PUC é uma universidade filantrópica, de fins comunitários. Isso está definido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação: uma universidade que tem ensino, pesquisa e extensão tem que ter alguma abertura para a comunidade. Ela não pode ter lucro. Qualquer resultado superavitário é obrigatoriamente aplicado na universidade. Nós também ganhamos com a filantropia. Não recolhemos Imposto de Renda e nem a parte patronal do empregado”.
Logo, tal como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação mencionada pelo professor, as instituições filantrópicas, mesmo antes da adesão ao Programa Universidade Para Todos, deve manter uma forte comunicação com a comunidade. A PUC-SP tem mais de 1500 bolsistas e aponta um alto índice de desistência, pois não possui uma política de permanência para esses estudantes, que sequer recebem acompanhamento específico. A PUC do Rio de janeiro, ao contrário, oferece um fundo que garante auxílio-moradia, auxílio-alimentação, bolsa-livro, bolsa xerox, auxílio transporte e atendimento psicoterapêutico, enquanto a PUC-SP oferece apenas 25 bolsas alimentação. Será que podemos dizer que a PUC-SP está cumprindo bem o seu papel de universidade filantrópica?
É claro que não devemos jogar todo o peso para cima da instituição, pois, o próprio ProUni como dissemos, não está acabado e possui grandes falhas. Quanto a isso, o professor Augusto Sampaio diz o seguinte:



“O Prouni ainda não contempla algumas situações que deveria. Por exemplo, o Prouni diz que só pode ser contemplado o aluno que veio de escola pública ou bolsista de uma escola particular. Aquele jovem que estudou em uma escola particular, mas porque era filho da empregada doméstica e a patroa pagou, está fora. Outra situação muito comum no Rio de Janeiro, com esta questão do tráfico, é que muitos pais fazem um grande sacrifício para pagar 80, 100 reais e colocar o filho em uma escola particular precária, porque não quer deixar o filho em uma escola pública. Porque ele mora em um lugar que é dominado pelo Comando Vermelho e o Ciep fica em uma área do Terceiro Comando. Isso existe, e eu sou testemunha”.


Por outro, o professor diz o seguinte:


“Dizem que o Prouni foi inspirado na PUC. Eu estive com o atual ministro da Educação, Fernando Haddad, quando ele era secretário executivo do MEC, e ele ficou impressionado. A PUC criou as bolsas de Ação Social 14 anos antes de o ProUni surgir. É a bolsa de estudos para aquele aluno de renda bem baixa, proveniente de pré-vestibulares comunitários. O ProUni substituiu essa bolsa, mas ela ainda existe. Chegamos a ter mil alunos com essa bolsa, hoje temos 112.”


Por essa e por outras é que devemos concluir que diante das atuais circunstâncias, a água está molhando a bunda de muita gente. Tanto o governo, quanto as universidades, mas, sobretudo, o próprio aluno do ProUni, que é o maior prejudicado nesse bate-bate, não responderam sobre o que podemos fazer para sair dessa situação complicada para podermos melhorar a própria condição de vida. Um movimento estudantil fortemente organizado por estudantes ainda está em vias de aparecer para que se possa levantar essa bandeira pela educação no papel de pressionar tanto o Estado quanto às IES à recobrarem os papeis que lhe cabem.






domingo, 24 de junho de 2012

De volta para a escola pública - Ata da Reunião do Grupo de Estudos - 16/06/12




Ata da Reunião do Grupo de Estudos - 16/06/12

Pautas:
  1. Projeto remunerado para bolsistas do primeiro ano que queiram retornar à escola pública para dar orientações para o aluno do ensino médio sobre o acesso à universidade. 

- O Projeto consiste basicamente em elaborar estratégias de captação de recursos com entidades interessadas em remunerar os bolsistas do primeiro ano do ProUni, que são os mais vulneráveis, que, como forma de trabalho, voltarão às escola pública do ensino médio e fará uma conversa com os alunos sobre o acesso ao ensino superior.

-A visita será feita ao lado de uma equipe de teatro, e de um aluno que possa filmar todas as atividades.

- Será criado uma rede que permita o acompanhamento dos estudantes visitados.

-A remuneração poderá ser feita através de parcerias com o estado, município, empresas, Ongs, ou, de forma independente, podemos usar recursos de crowd funding, ou seja, um sistema de doações feitas através intensa divulgação na redes sociais(http://catarse.me/pt)

- O projeto ainda será discutido nas próximas reuniões, e poderá ser aprovada ou reprovada mediante votação feita por enquete no Facebook e nas reuniões presenciais.

- A conversa toda sobre o projeto está disponível no Dropbox. Para ouvir a discussão, basta abaixar o documento de áudio para ouvir no Windows Media Player através de link:


Ou, escute sem baixar através desse link:


  1. Cursos de capacitação (ou simples troca de conhecimentos) para os membros do PROUNI-SE!

- Consiste em suprir os problemas e dificuldades que o grupo encontrou ao longo do desenvolvimento do PROUNI-SE! 

- A fim de se evitar que exista uma hierarquização dentro do grupo, identificamos a necessidade de desenvolvermos em todos a capacidade de poder atuar de forma equânime, ou seja, a cada um segundo suas capacidades e segundo suas necessidades é dado o direito à fala e à tomada de decisão através de um processo de troca de conhecimentos desenvolvido pelos próprios alunos (mais detalhes estão disponíveis no ítem 3).

  1. Próximas atividades:

♣ Reunião com os alunos de Psicologia - 18/06/2012, segunda-feira, às 15 hrs no pátio da cruz - PUC-SP - Apresentação do PROUNI-SE!

♣  Curso de Formação Política: Como Funciona a Sociedade I (vagas limitadas) Quando: 23 e 24 de junho de 2012 - 9h às 18hrs Onde:... Associação Cultural Novo Lua Nova:  Rua 13 de maio, 540, próximo ao metrô São Joaquim! Inscrição por e-mail ou telefone: prouni-se@googlegroups.com Telefones:  11 7491-8486 (Vivo) 11 6633-7722 (Claro) 11 6011-4803  (Tim)

Pagamento: O valor de R$15 reais é para o almoço e para ajudar a educadora, porém ninguém será impedido de fazer o curso se não puder pagar. Detalhes do curso básico: Ia) Roteiro:A sociedade em que vivemos. Riqueza e pobreza. A exploração capitalista: salário, mais-valia e acumulação. Estado e Ideologia. b) Duração: 2 dias intensivos 16 horas. Número mínimo de 15 participantes.

♣ Debate sobre liderança e tomada de decisão Responsáveis: Juliana Lopis, Cássio Freire e Nadja Aguiar( e quem mais quiser se increver para dar essa aula). Quando: Sábado, 30/06/12 ( à confirmar) Local: PUC-SP (à confirmar) 

♣ Debate sobre processos de formação, educação e programação neuro linguística Responsáveis: Larissa Rocha(e quem mais quiser se inscrever para dar essa aula). Quando: Sábado, 07/07/12 ( à confirmar) Local: PUC-SP (à confirmar)

♣ Debate sobre mídias sociais no movimento estudantil  Responsáveis: Ricardo Vidal(e quem mais quiser se inscrever para dar essa aula). Quando: Sábado, 14/07/12 ( à confirmar) Local: PUC-SP (à confirmar)   

  1. Parceria com o Setor de Atendimento Comunitário - PAC - PUC-SP 

- Entraremos em contato com o PAC para tentar receber apoio institucional. -Tal medida serve para legitimarmos nossas atividades e garantir certificados por todas as atividades que estamos promovendo à todos os que participarem.

O CONTROLE SOCIAL NO PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI


Quarta-feira, dia 13/06, no seminário “O CONTROLE SOCIAL NO PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI”, a Direção da CONAP - Comissão Nacional de Acompanhamento do ProUni - e algumas COLAP's - Comissões Locais de Acompanhamento do ProUni, em conjunto com os participantes do seminário, redigiu uma "carta a São Paulo" com algumas propostas de metas e sugestões a serem cumpridas pelo programa e pelo MEC. Segue abaixo o documento com as propostas:


CARTA DE SÃO PAULO

A assembléia do Encontro da Conap/Colaps do Estado de São Paulo aprovou, mediante debate, as seguintes resoluções:

1- Constar como obrigatoriedade nas atribuições das COLAPs, realizar reunião semestral com os  Prounistas;

2- Instituir um boletim informativo eletrônico do prounista sob a responsabilidade do CONAP, com  exposição no site do MEC/PROUNI;

3- Ampliar e/ou criar parcerias com empresas, municípios, Estados para realização de estágios  remunerados;

4- Incrementar o orçamento federal na rubrica bolsa permanência, visando ampliá-la para os atuais e demais Prounistas;

5-Desenvolver (MEC e as Colaps)a publicidade de cases de sucesso e conquistas dos alunos  Prounistas, junto às Instituições de Ensino Superior, bem como nos meio de comunicação de massa, com o objetivo de aumentar a autoestima dos Prounistas;

6-Utilização das bolsas remanescentes, após o encerramento do processo seletivo, nas Instituições  de Ensino Superior por alunos matriculados ou não, que se enquadrem nos critérios do PROUNI,  com exceção do requisito de ter estudado em escola pública;

7-Estender o benefício do PROUNI para cursos de Pós-Graduação, especialmente na Especialização;

8-Sugerir que o MEC assuma o papel político por envolver outras entidades da Federação, bem  como Corporações e Associações da Iniciativa Privada, para que os Prounistas possam ser atendidos em insumos didáticos. Inclusive envolvendo esse processo na compensação das dívidas do Estado, Municípios e das próprias Instituições.

9- Determinar que o aluno Prounista, que recebe bolsa permanência, faça um trabalho de  divulgação, preferencialmente na Instituição da qual ele provém; privilegiando alunos do ensino médio, bem como professores e o corpo administrativo da Instituição;


10- Sugerir que o Ministério da Educação assuma o papel político para envolver outras entidades da federação, bem como incorporações, associações e instituições da iniciativa privada, para que os Prounistas sejam atendidos com insumos didáticos, alimentação e auxilio transporte; inclusive 
envolver esse processo nas compensações das atividades do estado, municípios e as próprias 
instituições.

11. Modificar o referencial de renda per capita de bruta para líquida no critério de acesso ao Prouni.

São Paulo,13 de Junho de 2012.

Segue o arquivo em áudio:

Parte 1:

Parte 2:

Parte 3:


(Discurso  proferido ontem na Abertura do Seminário “O controle Social no Programa Universidade para Todos – PROUNI”, realizado na sede do Unicentro Belas Artes de São Paulo)

O Programa Universidade Para Todos – PROUNI – foi instituído pela Medida Provisória nº 213, de 10 de setembro de 2004, convertida, em 13 de janeiro de 2005, na Lei nº 11.096.

A criação do PROUNI foi precedida de intenso diálogo com as entidades representativas da livre iniciativa na educação superior, entre elas, a Associação Nacional dos Centros Universitários – ANACEU –, a qual tenho a honra de presidir. Sem o apoio decisivo da iniciativa privada o PROUNI não teria condições de ser implantado.

A Exposição Interministerial, que justifica a instituição do PROUNI, reconhece que “toda a atuação política relativa ao marco regulatório do ensino superior (em relação ao PROUNI) foi orientada de forma a buscar a formação de um amplo consenso, incorporando reivindicações e sugestões de todos os setores envolvidos. A presente proposta de Medida Provisória reflete, como não poderia deixar de ser, os esforços até aqui envidados para instituir o PROUNI e regular a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior”.

A democratização do acesso à educação superior foi buscada a cada passo das negociações, mediante a concessão de bolsas de estudo, integrais e parciais, sem prejuízo das vagas já ofertadas pelas instituições de educação superior, não ferindo nenhum preceito constitucional. O PROUNI atende, ainda, à implementação de políticas afirmativas de acesso ao ensino superior de portadores de necessidades especiais ou de autodeclarados indígenas e negros.

Segundo a Lei, o PROUNI tem por objetivo a concessão de bolsas de estudo integrais e parciais de 50%  ou de 25% para estudantes de cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos.

A comunidade acadêmica acolhe um estudante bem selecionado e classificado no Enem, por critérios de mérito, trabalhando, lado a lado, com outros estudantes, também selecionados por critérios de mérito. Esse é um princípio ético de igualdade que o PROUNI preservou e mantém e é um dos motivos do sucesso de sua implementação, alcançando, no início de 2012, mais de um milhão de prounistas.
É sempre bom lembrar que o PROUNI faz parte do conjunto de ações do governo federal destinado a abrir as portas do ensino superior a mais 4 milhões de jovens, meta estabelecida no Plano Nacional de Educação (PNE) para 2011-2020, em análise no Congresso Nacional.
A sociedade, por outro lado, vai receber de volta, formado e capacitado, de igual modo, estudantes prounistas e não-prounistas, mas classificados e formados pelo mesmo critério de mérito intelectual.
Os beneficiários do PROUNI e os demais alunos estão igualmente regidos pelas mesmas normas e regulamentos internos de cada instituição. O estatuto, o regimento geral e os demais ordenamentos de autorregulação são comuns à comunidade acadêmica, integrada por alunos, professores e técnico-administrativos das mais diversas origens sociais, econômicas, político-ideológicas. Não há nenhum tipo de discriminação.
As implicações éticas e pedagógicas do PROUNI sobre a comunidade acadêmica e a sociedade partem, exatamente, desse dispositivo central da Lei do PROUNI. As questões éticas e pedagógicas é que devem presidir esse tratamento igualitário.
Ética, do grego ethos, é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana na sociedade. É construída por uma sociedade com base nos valores históricos e culturais. O seu exercício é indispensável para que haja um equilíbrio e bom funcionamento social. Em uma instituição de educação superior, a ética é o instrumento adequado para dar equilíbrio e harmonia na comunidade acadêmica, onde estudantes, professores, funcionários e gestores acadêmico-administrativos desempenham suas funções submissos a regras comuns, sem qualquer discriminação ou preconceito. O objetivo comum é o êxito da aprendizagem do educando, não importando o seu status social, econômico ou sua condição racial, de gênero ou sexual, portador ou não de necessidades especiais e alunos pagantes ou bolsistas.
Pedagogia tem origem no grego paidós (criança) e agogé (condução). Ao longo da história do ocidente, contudo, pedagogia passou a ser um termo correlato da educação como ciência do ensino, com função reflexiva e investigativa. O pedagogo, agente da pedagogia, é aquele que conduz. Modernamente, é aquele que orienta, que acolhe, que facilita o processo de aprendizagem.
Ao pensar as implicações éticas e pedagógicas do PROUNI sobre a comunidade acadêmica e a sociedade não posso ingorar os ensinos de pensadores e educadores contemporâneos, que estão vivenciado estes novos tempos para a educação de crianças, jovens e adultos.

Edgar Morin, em Os sete saberes necessários à Educação do Futuro, dá-nos uma lição sobre a ética do gênero humano, na tríade indivíduo/sociedade/espécie, para esta era de mutações rápidas e profundas, na qual o PROUNI surge para incluir no processo universitário brasileiro jovens até então marginalizados nesse processo.

Para Morin, “as interações entre indivíduos produzem a sociedade e esta retroage sobre os indivíduos. A cultura, no sentido genérico, emerge destas interações, reúne-se e confere-lhe valor.Indivíduo/sociedade/espécie sustentam-se, pois, em sentido pleno: apoiam-se, nutrem-se e reúnem-se”. Os prounistas, em uma comunidade acadêmica,  interagem com os outros estudantes, professores e a sociedade, nos processos de iniciação científica, de extensão, de estágios e, mais tarde, no exercício de atividades profissionais e como cidadãos. Influenciam e são influenciados pelo novo ambiente dedicado ao conhecimento, ao estudo, à pesquisa e à extensão universitária, numa troca de experiências comunidade acadêmica / sociedade / comunidade acadêmica.
A assumirmos a missão antropológica do milênio, na proposta de Morin, devemos todos, comunidade acadêmica e sociedade, trabalhar para a humanização da comunidade acadêmica e da sociedade, respeitar o outro, as diferenças e as múltiplas identidades, desenvolvendo a ética da solidariedade, da compreensão, da afetividade. São implicações que surgem, especialmente, a partir do PROUNI e que devem conduzir a reflexões profundas de educadores e gestores educacionais. A ética do gênero humano, enfim.
Ainda na mesma linha de pensamento, encontramos no Relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século 21, de 1996, uma sábia referência sobre como educar para o desenvolvimento humano, a pedagogia para a vida. Nesse Relatório registra-se  que “um dos principais papeis reservados à educação consiste, antes de mais nada, em dotar a humanidade da capacidade de dominar o seu próprio desenvolvimento. Ela deve, de fato, fazer com que cada um tome o seu destino nas mãos e contribua para o progresso da sociedade em que vive, baseando o desenvolvimento na participação responsável dos indivíduos e das comunidades”. São implicações pedagógicas que passam a ser objeto de reflexão de gestores e educadores a partir do PROUNI  e da consequente inserção na educação superior de uma plêiade de jovens que estava marginalizado desse processo.
Os estudantes devem, assim, ser acolhidos no processo educacional, com a diversidade e a complexidade do ser humano, sem levar em consideração a origem de acesso ao ensino superior e nem os recursos de sua manutenção e permanência. Esse acolhimento deve refletir ações equânimes, solidárias, justas.
As políticas, diretrizes, programas e ações éticas e pedagógicas, tanto governamentais quanto das instituições de educação superior da livre iniciativa, a partir do PROUNI, devem, assim, estar acordes com as orientações da UNESCO.

A educação superior, nestes novos tempos, no alvorecer do século 21, necessita estabelecer novas relações entre políticas e diretrizes educacionais e o desenvolvimento social, reforçando as bases do saber e do saber-fazer. Necessita, ainda, estimular a iniciativa, o trabalho em equipe, as sinergias, o espírito empreendedor. São implicações éticas e pedagógicas que o PROUNI faz acelerar, mas que as instituições de educação superior desta nova era não podem mais ignorar.

Em síntese, uma educação de qualidade, mas uma qualidade que seja meio para a felicidade, como anseia o educador e pensador Rubem Alves, para a realização pessoal e profissional de prounistas e de todos os demais educandos que são acolhidos nas instituições de educação superior.

Nesse contexto, os atores, especialmente, educandos e educadores, devem atuar com respeito, confiabilidade e responsabilidade, estando o diálogo entre os instrumentos de mediação, em contraposição aos debates e discussões. O diálogo tem como premissa a fraternidade, onde discordar não significa conflito, mas diferença de pontos de vista. O princípio básico do diálogo é que tudo pode ser melhorado para ter mais utilidade, para educandos e educadores. O diálogo haverá de ser, sempre, ético frutífero e funcional.

No processo pedagógico da aprendizagem, na perspectiva do gestor acadêmico, educandos e educadores devem caminhar juntos, lado a lado, na construção do saber, na teoria e na prática.
No processo pedagógico da aprendizagem, na visão do educador, o êxito do educando é a meta, ao final de cada jornada, representada pelos componentes curriculares de cada curso superior, e ao fim do curso, na colação de grau, na diplomação.
No processo pedagógico da aprendizagem, na perspectiva do educando, a meta final é o seu êxito na aprendizagem, representado por avaliações satisfatórias nas etapas intermediárias e na avaliação final, que conduz à diplomação.

As implicações éticas e pedagógicas do PROUNI sobre a comunidade acadêmica e a sociedade são, na realidade, desafios para a gestão universitária contemporânea, na busca de assimilar e praticar, efetivamente, os ensinos desses pensadores e educadores ao dia a dia, ao “chão de fábrica” das instituições de educação superior. E, para encerrar estas breves palavras de saudação aos participantes deste Seminário, lembro Pestalozzi, extraordinário educador suíço dos séculos 17 e 18, para a nossa reflexão, nas atividades da construção democrática da Carta de São Paulo, ao final deste evento:
 "Em minhas relações com os alunos nunca lhes falei em liberdade ou igualdade, em vez disso, estimulei-os o quanto possível a sentirem-se livres e descontraídos na minha presença. A vida educa. Mas a vida que educa não é uma questão de palavras, mas de ação".
Eu agradeço a todos que acolheram o nosso convite para este Seminário e espero que possamos, juntos, trabalhar pelo desenvolvimento do PROUNI como um dos mais extraordinários programas governamentais de sustentabilidade social.
Sejam bem-vindos!

Belas Artes, 13 de junho de 2012

Paulo Antônio Gomes Cardim
Reitor do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, presidente da ANACEU – Associação Nacional dos Centros Universitários, Vice-Presidente da CONFENEN – Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino e membro nato do Conselho da Presidência do SEMESP – Sindicato das Entidades Mantenedoras dos Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez; Brasília: MEC, UNESCO, 2006, p. 101.
ALVES, Rubem. Conversas com quem gosta de ensino. Campinas, SP: Papirus, 2000, p. 127.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez; Brasília, UNESCO, 2001, p. 105.
LOPES, Luciano. Pestalozzi e a educação contemporânea. Duque de Caxias, RJ: AFE, 1980, p. 28.

Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do ProUni - CONAP - Ata da reunião do dia 30/05/12



Ata da reunião do PROUNI-SE!

Reunião realizada dia 30/05/2012 com a participação do representante da CONAP – Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Prouni - Antonio Ananias Henrique

Presentes:

Antônio Ananias – Representante da CONAP – Direito - 4º ano – PUC-SP
Bruna Oliveira – Letras – 1ºano
Bruno Matos – Jornalismo – 2ºano
Larissa Rocha – Geografia – 4ºano
Katu Silva- Vice-presidente da União Estadual dos Estudantes
Ricardo Vidal – Direito -  4º  ano
Toranaga Wakassa – Vice-presidente do Centro Acadêmico da FATEC de São Paulo


Tópicos mais importantes:
  • Organização e atuação política da CONAP
  • Flexibilidade no critério de avaliação e revogação da obrigatoriedade do critério de desempenho de 75% de aprovação nas disciplinas cursadas
  • Assistência estudantil – Bolsa auxílio - condições para se formar dentro do prazo do curso
  • ProUni para a Pós-Graduação – carência de profissionais qualificados
  • Atuação da CONAP com a PUC e o Mackenzie
  • Meios de comunicação com as demais universidades
  • Cotas raciais no ProUni
  • Eleições para representação discente do ProUni – COLAP
  • Autonomia da COLAP

O conteúdo integral no formato de áudio está disponível no link:


Informe:

Antônio abriu o convite para todos os bolsistas do ProUni organizado pelo MINISTERIO DA EDUCAÇÃO, SECRETARIA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR , Diretoria de Políticas e Programas de Graduação, Coordenação-Geral Relações Acadêmicas de Graduação e Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do ProUni (CONAP) ,  segue: ______________________________________________________________________________________ CONVITE

SEMINÁRIO: “O CONTROLE SOCIAL NO PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS – PROUNI”

A Comissão Nacional de Acompanhamento e Controle Social do Prouni – CONAP e o Ministério da Educação, por meio da Diretoria de Políticas e Programas de Graduação da Secretaria de Educação Superior e o Centro Universitário Belas Artes de São Paulo – FEBASP, convidam as Instituições de Educação Superior do Estado de São Paulo a participar do Seminário “O Controle Social no Prouni” a ser realizado na FEBASP, no dia 13 de junho de 2012, no Auditório Raphael Galvez Dazzani, Prédio Pedro Augusto Gomes Cardim, Rua Dr. Álvaro Alvim, 90 – Vila Mariana, conforme programação anexa.

O evento objetiva discutir a importância do Controle Social no Prouni e o papel das Comissões Locais de Acompanhamento e Controle Social.

As inscrições dos participantes deverão se efetuadas pelas IES até o dia 8 de junho de 2012 por meio do e-mail rsvp@belasartes.br. 


Dúvidas  Antonio Ananias Henrique, (11) 5116-9797 une.antonio@gmail.com / prouni.une@gmail.com  membro da CONAP, representando os estudantes Prounistas indicado pela UNE

Carta ao Reitor


*** Informe***

A reunião com o reitor ficou confirmada para o dia 03/04 (terça-feira) na sala dele na reitoria, e a entrada é de no máximo 10 pessoas.Marcamos uma outra reunião pra decidir quem serão essas pessoas e outras pautas para a segunda-feira (02/04) às 18hrs
no pátio Cruz.

Pautas levantadas:

• Transferência de turno.• Bilhete único.• Monitoria de Psicologia• Bolsa Alimentação• COLAP - eleição direta e separação da SABE.• Direito dos representantes de terem acesso aos emails dos bolsistas, facilitando a comunicação.• Reuniões abertas do COLAP• Manual do bolsista

Levantamos esses assuntos para serem abordados na reunião de terça-feira com o reitor, porém na reunião de segunda iremos estruturar melhor cada uma das questões além de incluir outras que cada um achar importante.Por isso compareçam ou então, manifestem-se por aqui.

Carta ao Reitor

São Paulo, abril de 2012.

À Vossa Magnificência

Desde o primeiro semestre de 2005 aqueles que fazem o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) podem ter acesso à PUC-SP por meio do Prouni. A política de acesso para os estudantes de baixa renda da nossa Universidade há muito perpassa pelo oferecimento deste tipo de bolsa. Porém, a efetivação do benefício, o acesso e a permanência dos prounistas não são garantidos. Seja pela burocratização do setor de bolsas da PUC-SP ou pela falta de assistência estudantil, os bolsistas em geral sempre enfrentaram grandes empecilhos para conquistar enfim o direito de estudar. E é por esse motivo que trazemos algumas pautas referentes aos problemas enfrentados pelo aluno prounista, a fim de elucidar tais questões. As pautas prioritárias são:

  • COLAP – Comissão de Acompanhamento e Controle Social do Prouni
  • Bilhete único
  • Bolsa alimentação
  • Transferência de turno

Segue abaixo uma síntese das questões pontuadas acima:

Comissão de Acompanhamento e Controle Social do ProUni - COLAP
O objetivo do COLAP é acompanhar, averiguar e fiscalizar o ProUni na Instituição de Ensino Superior, a fim de esclarecer dúvidas, ouvir sugestões para a melhoria do programa ou denúncias de irregularidades encontradas por qualquer estudante, que devem ser discutidas e analisadas em reuniões do COLAP.  Na PUC-SP não existe o órgão do COLAP, uma vez este está vinculado ao Setor de Administração de Bolsas de Estudos (SABE). Além disso, foram eleitos de forma indireta os dois representantes dos alunos prounistas na COLAP, o que infringi os regulamentos do projeto. As reuniões da COLAP, que são de interesse de todos os alunos bolsistas, são fechadas, ou seja, não são abertas a participação de toda comunidade acadêmica, incluindo o aluno bolsista do ProUni.

Bilhete único

Para que se obtenha o bilhete único de estudante é necessário que a Secretaria de Administração Escolar (SAE) realize o cadastramento do aluno no sistema da SPTrans. Geralmente, esse cadastro deveria ocorrer no ato da matrícula. O mesmo ocorreria com veteranos por ocasião da renovação de sua matrícula. Apesar disso, uma expressiva parcela dos puquianos não tem seu cadastro efetuado prontamente. Esta situação não é restrita aos prounistas.
Há vários anos que essa situação se repete no início de todos os períodos letivos. Estudantes esperam meses para que se resolva o problema. Durante este período de tempo o estudante tem que pagar a passagem inteira, o que é muito dificultoso ao prounista. É custoso ao estudante pagar passagem inteira; temos casos de colegas que faltaram às aulas por não disporem de recursos para pagarem a passagem inteira.

Bolsa alimentação
São oferecidas apenas 25 bolsas alimentação, sendo que a PUC possui no mínimo 1.200 estudantes bolsistas. Além disso, o critério de seleção é insuficiente e exige também que o estudante, ao pleitear tal auxílio não seja somente pobre, mas sim miserável, pois se for colocada a questão da comprovação de documentos do próprio ProUni para obtenção de uma bolsa de estudos integral, exige-se uma renda bruta de R$ 911,00 que é maior do que é demonstrada para a participação desse programa.

Transferência de turno

A antiga questão do indeferimento de transferência de turno dos bolsistas do ProUni persiste até hoje. Os estudantes da PUC já questionaram anteriormente a impossibilidade dos bolsistas do programa ProUni pedirem transferência de turno assim como qualquer estudante pagante pode ter, mas esse pedido muitas vezes continua sendo negado de maneira irregular.
Pelo que muitos estudantes sentem, o critério de escolha de quem pode ou não pode fazer a transferência é arbitrário, variando entre dois tipos de situação pessoal do aluno bolsista. Se o estudante conhece seu direito e junto do pedido faz menção ao direito de igualdade garantido na lei do programa federal, seu pedido é deferido; se desconhece seus direitos, seu pedido é indeferido.  O direito a igualdade, que é garantido na lei do ProUni, está sendo desrespeitado. Enquanto alunos pagantes fazem transferências de turno e curso de maneira que lhes aprouver, nós ficamos restritos aos casos de DP e monitoria.

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